Estou em Santiago

“Sim, estou em Santiago de Compostela.”
Basta dizer isso que já posso ouvir o sorriso que acompanha interjeições animadas e vem seguido de um suspiro sonhador.

Vim à Espanha para descobrir que nunca soube embromar um espanhol e hoje até esgasgo no meu português. Estou na cidade peregrina e sei que soa esnobe dizer que não andei muito mais do que os quarteirões que separam o hotel do campus da universidade. Assim é o que trabalho me faz (ou assim é o que faço eu do trabalho).

Seja como for, Santiago já me encanta. Uma atmosfera ao mesmo tempo tranquila e animada; como viver em slow motion num filme de falatório acelerado. Uma cidade mística que esconde uma tentação em cada esquina, digo, uma tentação em cada padaria/café de esquina.

A Santiago dos sorrisos e interjeições ainda descobrirei. Quanto as tentações…imageedit_2_5404480140

porque algum motivo churros me fazem pensar no chaves… hihihi

Um dia mais ou menos

+ acordar com a sensação de uma noite bem dormida
– acordar!
+ ser “salva” pelos 15 minutos de atraso do onibus das 8:20
– trânsito
+ escritorio só pra mim (livre para cantar ♪♫♪)
+ última revisão do artigo, quase pronta para submeter
+ o diretor anunciar sexta-feira de folga
– descobrir que a tal folga é mera resposta ao caos que se espera na cidade (dada a reunião do comitê da União Europeia), ou seja, quase um toque de recolher
+ de toda forma, uma sexta de folga poderia virar uma escapadela da cidade
– cair na real de que a folga é só sua (portanto, a escapadela não irá longe)
– almoço: salada com queijo super salgado e azeitona sem gosto
+ encomendar o almoço do dia seguinte: frango assado
– descobrir que “frango assado” foi apenas seu erro de tradução, almoço de amanhã: fígado de frango
– última revisão do artigo, encontrar um erro matemático
– menos um teorema
– menos uma seção no artigo
+ o artigo ainda se sustenta (mas será que ainda posso chamar de “artigo”?)
– informar o erro aos outros colaboradores
+ otimismo, procurar uma demonstração alternativa
– solução? nada!
+ fim do expediente
– fim do expediente (de um dia pouco produtivo)
+ namorido lhe trazer uma empada doce (servida na festa do trabalho dele)
+ pronta para comprar livros usando milhas acumaladas de vôos aqui e acolá
– descobrir que metade das milhas expiraram dois dias atrás
+ ainda restar 2775 milhas (um livro e meio?!)
– o site não funcionar, nada de compras
– vida de Amélia
+ ter um ajudante para esses momentos Amélia
+ ir pra cama
– sem de fato “ir pra cama”

Saldo final? Positivo? Negativo?
Vamos combinar que esse foi apenas um dia mais ou menos.

E o trabalho?

Além das ‘rodinha nos pés’ (como comentou a Rejane no último post), esse tempo foi também um período de trabalho. Houve dias em que até mesmo a caneca de café refletia meu cansaço

Certa vez, na facul, um veterano me disse que “prova é a motivação do aluno para estudar”. Podem discordar, argumentar, me mandar pra PQP, mas vou dizer: a afirmação tem um fundo de verdade. E agora que não tem mais prova? Como fica? Não sou disciplinada como minha amiga Si…preciso de um empurrãozinho (como foi o caso do limitante tempo em Praga: em uma semana fechamos a discussão de um artigo).

Trabalho – status atual: slow-motion. Em parte é minha culpa (um efeito do mês de julho talvez). Mas parte deve-se ao meu notebook (aspirante a aposentadoria). A coisa foi tão séria na última viagem que considerei até joga-lo pela janela; o que me freou foi o medo de atingir um português e ser indiciada por tentativa de homicídio num país estrangeiro. Antes matemática quase-sem computador, do que as paredes de uma cela e nenhum giz pra fazer matemática…

Pra evitar que mais besteiras se acumulem neste post, encerro com uma imagem bonita

Um pouco da dita cuja

Fui durmir as 2 da madruga, estava trabalhando. Nem sei porque esse ritmo estilo “exame de qualificação”. Daí acordo antes das 8h porque a dona da casa achou que era um horário legalpra usar a furadeira. Daí vou fazer café e minha caneca vira uma meleca de água e pó, porque o filtro achou que era legal rasgar. Melhor sair de casa…eita atmosfera zicada.

Café mocha by Starbucks, chego no instituto e quando vou conectar o pen drive uma ferpa que veio sei lá de onde corta meu dedão. E pra variar descubro que boa parte das idéias matemáticamente geniais em que estive trabalhando na noite anterior não eram assim tãaaaao geniais.

Ahhhhhhhhh…Calvin me salva, por favor!!!

O dia está só começando, mas depois disso tudo acho que mereço uma pausa de mil compassos.