Uma estrada qualquer na Moravia (Czechia)

Sexta-feira. De manhã estou na faculdade de engenharia como que promovendo gauge integrals. A tarde, visita burocrática no instituto. A noite, as ensolaradas 18h, estamos em terras tchecas. E depois de jantar sopa de feijão e falar de pés de tomates selvagens, estamos na estrada. Uma estrada qualquer, que talvez até fosse para num calendário; dessas com uma fileira de árvores de cada lado a determinar onde termina a estrada e onde começam as plantações, ainda verdes, de trigo. Uma estrada que noutra vida deve ter sido um passeio que viu muitos glutões. Suas árvores não são puramente frondosas, são cerejeiras – hoje carregadas de frutos num provocativo vermelho a atiçar os motoristas.

Sexta-feira, noite clara, e estamos pendurados nos galhos dessas provocadoras.image

E embora sejam árvores sem dono, parece existir um suculento sabor de fruto surrupiado somado ao doce-azedo de cada cereja. Não há sacolas, não se trata de  algo premeditado. Tudo acontece no aqui-agora, o quanto couber nas mãos, na boca e no estomâgo.image

Na volta pra casa, língua de fora – como se isso pudesse aumentar a capacidade de armazenamento do estômago.image

Na volta pra casa, apontam a estrada das peras, das nozes… e minha gula da pulos de ansiedade, já sonhando o outono na Moravia que há trazer essas delícias 🙂

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Looking forward to…

… kissing under the cherry trees in Petřín – the Czech celebration of love on May 1st.DSC06088_3648x2736

And you? What are you looking forward to?


THIS POST IS PART OF A SERIES, COMBINING SNAPSHOTS AND EXPECTATION. See more HERE

Sakura (Czech version)

Sakura, ou o desabrochar das flores de cerejeira.

Um momento tão importante na cultura japonesa que é quase como se houvesse um intervalo na vida cotidiana para contemplá-las.

“A flor desabrocha, resplandece de brancura, no instante seguinte não existe mais. Pétala após pétala, ela morre, o vento a expulsa, como nós…”
(Catherine Clément – A viagem de Théo)

Não sei dizer quando foi que me apaixonei pelas cerejeiras – terá sido depois de Théo? O que me diz amigo M.?

Vim falar das cerejeiras, não porque suas flores estiveram enfeitando as ruas de Praga durante boa parte do mês de abril. Vim falar de sakura pois também os tchecos fazem notar a beleza efêmera dessas flores; hoje, 1° de maio…den lásky, dia do amor. Em Praga, rejuvenescer o amor é subir o monte do parque Petřín, beijar sob as cerejeiras em flor ou ainda, oferecer flores à estátua de Karel Hynek Mácha e assim ganhar as bençãos do poeta.

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É claro que fui até lá pra garantir a juventude do amor, mas das cerejeiras…nem flores, nem cerejas. Na verdade, o dia do amor não teve sequer céu azul. O que não significa que Petřín deixou de ver casais, beijos e festa. O que não significa também que deixo de ter meu registro de sakura.

(a caminho do trabalho)

(a caminho do trabalho)

As fotos que seguem, registro de uma caminhada por ruelas da vizinhança num domingo de sol, mostram que até mesmo uma câmera compacta pode fazer muito mais que o automático quando nas mãos da pessoa certa – no caso, meu respectivo. Obrigada, namorado 🙂

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“Como nos dias de nossa vida vai-se a flor da cerejeira”
“É preciso amar o presente”
(trecho de A viagem de Théo)