Fat Tuesday (ou uma estória de koblihy)

Kobliha – a versão tcheca dos donuts

Kobliha. Eu costumava ser freguesa nos meus tempos de solteira (ironicamente, quase sempre mandava ver uma kobliha logo depois de malhar). Então me amarrei num tcheco que tem parâmetros elevados no julgamento do que seria uma dobrá (boa) kobliha. E foi assim que nos distanciamos; kobliha e eu.

Dias atrás lembrei com saudades daquela bolota recheada de calorias. Sei que o tcheco faria o sermão como-tudo-era-mais-saboroso-antigamente, mas pera lá: essa que vos escreve tem seus dias de cozinheira. Resolvido, eu mesma faria minhas koblihy (kobliha no plural). E foi na busca por uma receita que percebi que essa minha vontade de koblihy estava escrita nas estrelas**:

Masopustní koblihy

Foi sob esse nome que encontrei grande parte das receitas… e não é que Masopust é um equivalente do carnaval para os tchecos? Sendo assim Masopustní koblihy seriam donuts de carnaval (em tradução livre). Por mais tradutor que eu usasse, não encontrei maiores explicações dos ‘porquês’ de um donut no carnaval. Sejam quais forem os motivos, comparei receitas e me dediquei a criar as pecaminosas delícias.

Coincidência das coincidências, assim que sentei pra escrever este post de gordices me dei conta de que hoje é Mardi Gras, ou seja, Fat Tuesday, ou seja um terça-feira (ainda mais) gorda agora 😉

** Para aqueles que, como eu, ficaram cantando Tetê Espindola ao passarem pela frase ‘escrito nas estrelas’, clique AQUI

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Lembranças de um Carnaval

Falar em lembranças de Carnaval pode parecer um tanto equivocado (ou até perigoso) haja visto as tantas amnésias alcoólicas que regem esse período. Mas se engana quem pensa que vim falar de Carnaval em Praga. Apesar deles fazerem suas tentativas com o tal de Carnevale (que mostrei no blog AQUI e AQUI), o feriado não consta no calendário tcheco e confesso que se não fossem as redes sociais teria passado desapercebido. Uma vez que fui lembrada, eis me aqui, na minha simples terça-feira, escrevendo memórias de um Carnaval (ou quase isso).

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Já nos meus tempos de revista Querida sonhava um Carnaval atrás do trio elétrico. Para alegria-alívio da mamãe, Salvador estava longe (em quilômetros e URVs nas minhas economias). É certo que agora a distância envolvia cruzar um oceano. É certo que nosso Carnaval em Salvador aconteceu em fevereiro de 2014, apesar do calendário dizer que o feriado só viria em março.

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(photos by namorido)

Se na Bahia é Carnaval o ano inteiro não sei, mas nas semanas que antecedem o dia D, sim… Salvador respira Carnaval. Cada dia acontece o ensaio de pelo menos um bloco e com sorte, como aconteceu conosco, você pode até esbarrar com Olodum pelas ruas do Pelourinho.

Sabe qual a melhor parte?! Sempre tem alguma coisa acontecendo de graça.

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Nossa terça-feira de (não) Carnaval em 2014 foi assim:

18h, missa inusitada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Cerveja sentados nas escadarias da Fundação Casa de Jorge Amado. Bancar segurança do catador de latinhas (na verdade, fomos segurança da latinhas do catador). E quando prontos para bater em retirada, o vendedor ambulante nos dizer: “Vocês vão agora que o Olodum está vindo aí?” Ficar e confirmar que o baiano estava falando a verdade. Curtir os tambores do Olodum pelas ruas do Pelourinho. Fim do show, dar uma espiadinha no bloco que estava rolando no Largo Quincas Berro D’Água. Relutantes, comer acarajé da baiana ali em frente a festa (e surpresa… não tinha gosto de nada). Ter meus cincos minutos de fama e ‘ganhar’ uma flor feita de folha de coco no Largo Terreiro de Jesus de um baiano que se aproximou de nós com um ‘whatsyourname’ (afinal, virei gringa só por estar acompanhada do nitidamente estrangeiro namorido). Táxi para o hotel declarando o fim da terça-feira de (não) Carnaval.

Não sei se isso é pergunta que se faça, mas… alguma lembrança de Carnaval por aí?!

Olha o Carnaval!

Carnaval?! E eu pergunto: onde?! Aqui em Praga acho que não. Até onde eu sei, hoje é apenas terça-feira. Embora, é fato que desde o meados de fevereiro ouço anúncios sobre um tal Carnevale.

Mais uma vez acreditei nas propagandas de Carnaval em Praga…bem, acreditar não é bem a palavra. Digamos que depois do quase fiasco do ano passado (que você pode conferir AQUI), resolvi dar uma segunda chance ao que prometia ser um festival de máscaras, Slet Masek. Tarde de sábado, no ponto de partida do ‘desfile’ e eis o que encontramos:

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22/02/2014

…pois é, NADA. Havia sim uns mascarados (talvez tão perdidos quanto nós) e também essa gentarada ao sol – mas, por se tratar da Staroměstské náměstí, patrimônio da UNESCO, pode ser que fossem apenas turistas e não foliões de carnaval. Ok, estávamos um pouco atrasados em relação ao horário de início anunciado…mas, que desfile começa no horário?! Assumindo que comece…onde foi parar?! Tudo ao redor é silencio!

Um desfile pontual e silencioso?!…ok, passo. Ainda assim, o sábado teve um final feliz: churrasco gaúcho-tcheco com caipirinha tcheco-polonesa; tudo isso ao ar livre em pleno mês de fevereiro…quem precisa de mais?! 🙂

Bom fim de Carnaval…e que comece 2014!!!

Carnaval?!

Sim, estou em Praga. Sim, eles tem um tal de Carnaval. Quer ver?!
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Sou brasileira (até sei sambar) e se quer saber se senti falta do Carnaval do Brasil, nem preciso pensar duas vezes: minha resposta é SIM…mas só por conta desse feriado enooooorme de vocês…rs

Você aí que tem ainda mais um dia de folga (talvez dois, se for bastante sortudo), aproveite bem porque o calendário me contou que esse ano brigou com os feriados e fez deles, basicamente, sábado ou domingo (quando muito, uma quarta-feira)…hihihi

P.S. Xiii…o que foi isso?! Uma pitada de humor tcheco?! Mal aê…
Trilha sonora de carnaval (lembrando minha aborrecência): É hoje – Fernanda Abreu