Onde Papai Noel (quase) não tem vez

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Faltando basicamente duas semanas para o Natal, achei que valia comentar um fato curioso sobre a festa aos olhos dos tchecos. Escolhi então parte do texto publicado no Brasileiras pelo Mundo.

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Reza a lenda que a ideia de Papai Noel foi inspirada num bom velhinho que viveu há muitos anos, São Nicolau. Sendo verdade ou não, fato é que Papai Noel naquela imagem vendida nas propagandas de TV por essas bandas não tem vez. Os tchecos tem uma outra interpretação da história do bom velhinho que garante a São Nicolau sua própria festa: Mikulaš. anděl a čert. Tudo acontece no dia 5 de dezembro, às vésperas do dia do santo, quando se vê pelas ruas várias pessoas vestidas como o bispo Nicolau na companhia de uma anjo e um diabo. O trio aborda as crianças distribuindo doces e prendas àqueles que foram bonzinhos no ano que passou. Já aos que não se comportaram… a esses cabe lidar com os truques do diabinho ou se contentar com uma batata (crua) como presente.

(…) Como Papai Noel não existe, você pode estar se perguntando quem é que traz os presentes. Resposta simples: Ježišek. Pois é, num país onde a maioria se declara ateu, nada mais controverso que aceitarem o próprio menino Jesus como o responsável pelos presentes na noite de Natal.


ESSE TEXTO FOI PUBLICADO ORIGINALMENTE NO BLOG BRASILEIRAS PELO MUNDO. PARA VER O POST NA ÍNTEGRA, CLIQUE AQUI.

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Falando em presentes, se você está em Praga e gostaria de ganhar um livro, ainda dá tempo de participar do sorteio que vou promover aqui no blog dia 14 de dezembro.
Mais detalhes AQUI.

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Hody, a festa

É tempo de festa e vinho em Czechlands. Em 2013 pude ver de perto as festividades da colheita das uvas e (preguiçosamente) mostrei no blog o que meus olhos viram (confira AQUI). Mas os detalhes das tradições que envolvem a festa contei num post para o Brasileiras pelo Mundo ano passado. Olhando o calendário vi que Hody em Velké Pavlovice acontece nesse fim de semana. Então, vamos lembrar parte do texto publicado no Brasileiras pelo Mundo e quem sabe você se anima a festejar na Morávia 😉

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Falar em vinho tcheco é falar da Morávia. Localizada no sudoeste da República Tcheca, a região da Morávia do sul faz fronteira com os vizinhos Eslováquia e Áustria. Além de ser responsável por mais de 90% da produção de vinho da República Tcheca, é também nessa região que se encontra a segunda maior cidade do país, Brno.

E no que diz respeito ao vinho, os meses de Agosto, Setembro e Outubro são especiais. É hora da colheita, do vinho jovem e, claro, tempo de celebrar tudo isso com muita festa, ou em tcheco Hody. Um festival de tradições e costumes (muitos deles anteriores a você e eu) pipocando pelas vilas e cidades da Morávia do sul. Por ter também uma conotação religiosa, as datas variam de acordo com o santo patrono do local. Em alguns casos a celebração não é muito mais do que uma quermesse, mas quanto mais ao sul, maior e mais tradicional a festa.

Esse é o caso de Velké Pavlovice no mês de Agosto. Mais que uma festa da fartura, da colheita e uma celebração à patronesse (a Virgem da Assunção), o Hody é de certa forma um rito de passagem. É quando os jovens de 18 anos tem uma participação mais destacada na festa.  Vestidos em trajes tradicionais, cantam, dançam e festejam sua maioridade (bebendo vinho, é claro).

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(…) Em linhas gerais a festa acontece assim:

Um desfile se inicia apenas com os rapazes frente a algum PUB tradicional na cidade (onde eles estiveram reunidos se preparando para o evento). A essa altura já estão todos designados aos seus papéis: um casal é escolhido como principal dentre os jovens iniciantes, são chamados stárek, o rapaz, e stárka, a moça; não menos importante é o guardião do vinho, sklepník, que irá acompanhar e servir os participantes durante a procissão. O objetivo é a casa da stárka, onde as moças estão a aguardar seu pares.

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Eis então o clímax do desfile. Como um cortejo simbólico, stárek vem como que a pedir permissão aos pais da stárka para que ela os acompanhe. Muita música e dança acontecem nesse momento em frente a casa quando as moças vem dar o ar da graça num show de cores com seus vestidos armados. É também momento de se refrescar com a cortesia dos pais da moça a servirem refrescos aos membros do desfile e também àqueles que apenas acompanham com sua curiosidade.

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Dado o encontro, seguem todos, rapazes e moças, para o ponto central da festa. Este, por sua vez, que não é difícil localizar. No centro do espaço do evento se ergue alto Mája, um mastro feito do tronco de um pinheiro (ou mais) cujo topo é decorado com fitas coloridas – arriscaria dizer que se trata do nosso pau de sebo, mas aqui é meramente decorativo sem prêmios para quem decide escalá-lo. Quanto mais alto, mais prestigiada e bem cotada é a festa entre as vilas vizinhas.

O desfile é apenas o anúncio da festa que há de se desenrolar por toda a noite num clima de quermesse em torno de Mája, com músicas tradicionais e dança ao estilo polka – ou paralelamente, numa discoteca não muito longe da festa central, a moda que o DJ escolher.imageedit_16_2718930669


ESSE TEXTO FOI PUBLICADO ORIGINALMENTE NO BLOG BRASILEIRAS PELO MUNDO. PARA VER O POST NA ÍNTEGRA, CLIQUE AQUI.

 

Aproveitando o verão como um tcheco

A maneira como os tchecos aproveitam seu verão é algo que me chamou atenção desde a primeira estadia, em 2010. Às vezes me parece que vindo de um país ensolarado nem sempre notamos o sol (mas com certeza havemos de reclamar sua ausência). Já por essas bandas, cada dia de sol é uma festa… principalmente no verão. Ano passado, escrevi para o blog Brasileiras pelo Mundo um pouco sobre o verão dos tchecos. Faltando poucos dias para a chegada oficial da estação, penso que é um bom momento para lembrar parte do texto publicado no Brasileiras pelo Mundo.

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“É verão no hemisfério norte. Período escolhido por muita gente para dar uma voltinha pela Europa contando que assim não vá ter grandes surpresas com os termômetros. Se esse é seu caso e você escolheu Praga como seu destino de viagem, aviso logo: pode ser que o verão aqui te surpreenda. Pode ser que de repente as manhãs ‘fresquinhas’ de Praga (por vezes 14°C) não seja aquilo que você chamaria de verão. Mas pode ser que a surpresa seja o extremo oposto e mesmo com toda sua experiência em verões tropicais no Brasil você se veja passando calor… 30 e tantos graus de calor sem ar condicionado (pois é assim que é na maioria dos lugares por aqui).

E para atacar o calor, uma caneca de cerveja. É certo que sugerir uma caneca de cerveja aqui não depende muito da estação do ano. Se perguntarmos a um Tcheco qual o primeiro lugar em Praga que ele apresentaria a um amigo a passeio pela cidade, arrisco (com 99,5% de certeza) que sua resposta seria: um PUB. (…)

Contudo não vim fazer a vez do Guia 4 rodas indicando esse ou aquele PUB (ainda preciso fazer mais ‘pesquisa de campo’ para dar umas indicações verdadeiramente testadas… hehe). Vim aqui dar algumas sugestões de como aproveitar o combo verão-cerveja no estilo tcheco.

Parque Letná

Não muito distante do castelo (que com certeza estará na sua programação turística) fica essa área verde: Letenské sady, o parque Letná – cujo nome parece ter tudo a ver com leto, que é verão em tcheco (mas isso é mera observação dessa estrangeira aqui). O que essas árvores não contam é que ali, em meio a essa tranquilidade toda, já ‘residiu’ o comunismo; representado por uma enorme estátua de Stalin num ponto do parque com uma vista privilegiada da cidade. Hoje já não há estátua, mas a vista continua belíssima.image_3

Além de um pouco de sombra e tranquilidade, o parque conta com um biergarten, ou seja, uma área com bastante sombra, muitas mesas e banquinhos pra você se sentar e saborear uma cerveja. Para quem não sabe, quando falo cerveja aqui estou me referindo ao que no Brasil chamamos de chopp (que é servida sob pressão a partir de barris). A medida padrão é 500 ml e se quiser beber menos vai ter de informar que deseja malé pivo, ou seja, a pequena de 300 ml.

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Pertinho do Museu Nacional, Národní Muzeum, esse parque parece ser o ponto para onde convergem cerveja e esporte. Explico. O biergarten aí, mais que cerveja e linguiças, conta com dois telões sempre ligados no esporte do momento – nem é preciso dizer que esse era o ponto de encontro pra curtir a Copa. E mesmo se você não é muito fã da cerveja e/ou esportes pode curtir a atmosfera do lugar saboreando uma super rosada malinovka (um refrigerante de framboesa) ou a tradicional kofola (versão tcheca para coca-cola).

Parque Stromovka

Bicicletas, patins, patinetes… um lugar para picnic (naquele estilo bem filme: com cesta de vime sobre toalha xadrez)… famílias, crianças, cachorros…muitos cachorros (afinal, por aqui todos prezam bastante o melhor amigo do homem); essa é a visão desse imenso parque muito apreciado pelos locais. Apesar de menos turístico e tendo o principal restaurante em reforma, é possível encontrar um ponto de venda de cerveja nas barraquinhas próximas do restaurante ou nas imediações do Planetarium (e cá entre nós, foi uma das cervejas mais baratas que já tomei por aqui). No mais, se você é daqueles que curte uma caminhada, de Stromovka para o Chateau em Troja é um pulo (ou quase isso… basta atravessar uma ou duas pontes).”

Fica a dica 😉


Esse texto foi publicado originalmente no blog Brasileiras Pelo Mundo. Para ver o post na íntegra, clique AQUI.

O começo de tudo (ou virando estudante no exterior)

Com o aniversário do blog chegando, achei que seria um bom momento para me apresentar. Afinal, pode ser que você tenha caído de para-quedas nesse post, pode ser você que esteja por aqui há algum tempo e não sabe da ‘origem disso tudo’ ou pode ser que tenha apenas se esquecido – esquecimento bastante compreensível, pois já se passaram 5 anos desde que comecei a brincar com palavras nesse blog (veja primeiro post AQUI).

Ano passado, quando fui convidada a escrever para o blog Brasileiras pelo Mundo comecei contando um pouco de mim mesclando com informações sobre bolsas e auxílios para estudar no exterior. Compartilho então parte do texto publicado no Brasileiras pelo Mundo e assim me apresento (e quem sabe dou um empurrãozinho com informações para quem quer estudar no exterior).

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“E então vim reencontrar minhas origens em Praga. Não, não sou descendente de Tchecos.  A questão é que o apelido ‘praga’ sempre me caiu muito bem e é claro que meus amigos e familiares não poderiam deixar de (carinhosamente) observar esse fato quando, em 2010, eu fazia minhas malas para uma temporada na capital da República Tcheca.

Brincadeiras a parte, para contar como vim parar aqui preciso dizer que sou formada em Matemática (e para continuar minha história, vou fingir não notar sua reação aversiva a menção da disciplina que é pesadelo de muitos na escola). E foi exatamente a Matemática que me trouxe aqui – não uma, mas duas vezes.

primeiro seminario em Praga

primeiro seminario em Praga

Minha primeira estadia em Praga aconteceu durante o doutorado graças a uma bolsa do governo brasileiro. A coisa funcionou mais ou menos assim: estabelecido contato com um professor da instituição daqui, solicitamos o auxílio para a visita científica. Meses depois, a proposta foi aprovada: uma bolsa de estágio de doutoramento que carinhosamente chamamos sanduíche (dado que o período no exterior acontece entre períodos no Brasil).

Sem querer fazer politicagem, é preciso reconhecer que atualmente o governo brasileiro oferece uma grande variedade de suportes financeiros para aqueles que têm vontade de estudar fora e nem é preciso estar num nível de pós-graduação. 

Um programa recente (chamado Ciências sem Fronteiras), por exemplo, funciona através de parcerias com instituições estrangeiras e oferece a chance de realizar parte dos estudos do curso de graduação no exterior. Para tanto é preciso atentar para as vagas disponíveis e então seguir o procedimento de inscrição/seleção (que pode variar conforme o edital da chamada). Outra possibilidade oferecida pelo programa são visitas científicas objetivando puramente a pesquisa (que vão desde nível de graduação até pós-doutorado). Nesse sentido vale mencionar também as bolsas subsidiadas pela CAPES, CNPq e, no estado de São Paulo, pela FAPESP. Cada qual tem suas próprias regras e períodos de inscrição, mas em geral seguem o mesmo padrão aplicado a minha solicitação de bolsa: estabelecer um contato na instituição estrangeira e, em conjunto com um professor no Brasil, submeter um projeto de pesquisa ao respectivo órgão de fomento. Com as opções de auxílio em mente, a questão passa a ser a escolha do país.

Então vocês devem estar se perguntando por que escolhi a República Tcheca? Tal qual muitos brasileiros, eu sequer sabia onde exatamente no globo ficava esse país que é praticamente do tamanho do estado de Santa Catarina. Contudo, já durante o mestrado nomes tchecos e eslovacos eram parte do meu dia-a-dia na universidade. Tudo porque aqui é praticamente o berço da teoria matemática com a qual trabalho – a saber, teorias de integração não-absoluta. Assim, fica claro que a escolha pela Academia de Ciências da República Tcheca foi natural. (…)

Foram seis meses de muito aprendizado (matemático e de vida), então voltei ao Brasil e defendi minha tese. Com título de doutora em mãos, procurava emprego no Brasil sem deixar de buscar por oportunidades no ‘quintal do vizinho’ (ou nem tão vizinho, como é caso da República Tcheca). Assim, me candidatei a uma vaga de pesquisadora visitante exatamente no instituto onde tinha estudado em Praga. Logo estava fazendo as malas e ouvindo as mesmas piadinhas de dois anos antes: “Você vai voltar pra sua terra, Praga”.

Hoje ocupo uma vaga de pesquisadora postdoc na Academia de Ciências – que, diferentemente do Brasil, aqui é um funcionário pagador de impostos como outro qualquer. E mesmo com as diferenças culturais, Praga é hoje um pouco mais minha casa”

Bom, essa sou eu: de estudante à doutora.  Těší mě.


Esse texto foi publicado originalmente no blog Brasileiras Pelo Mundo. Para ver o post na íntegra, clique AQUI.

 

Rep. Tcheca, um país que lê (Brasileiras pelo Mundo)

Tenho falado muito em livros no blog (veja AQUI e AQUI, por exemplo). No mês de janeiro, ao escrever sobre a República Tcheca no blog Brasileiras pelo Mundofalei quão bons leitores os tchecos são.

Criado por Ann Moeller, o Brasileiras pelo Mundo se define realmente pelo slogan que carrega: um ponto de encontro virtual. Onde houver uma brasileira disposta a contar um pouco de suas experiências, lá está o Brasileiras pelo Mundo.

Te convido a conferir o texto sobre esse país de leitores:

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(clique AQUI para acessar o post)

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