Salvador, a segunda chance

Quando comentei aqui que o abadá não se ajustou à minha aborrecência, faltou dizer que isso não foi apenas para tranquilidade da mamys, mas parece que foi também para minha mais completa satisfação. Salvador veio acontecer nos tempos da facul, para uma Gi que fazia mais que viver mal humorada por conta do cabelo rebelde. Só não imaginava que o gostinho de Carnaval viria 10 anos depois daquela primeira visita.

DEZ anos!!

2004, muitas horas de onibus fretado, estradas ruins e ótima companhia: um bando de matemáticos (atípicos) a caminho de uma conferência. Das palestras não me recordo, mas não esqueço que o evento teve início dia 25 de outubro. A precisão de tal lembrança? Dia 24, meu aniversário, chegamos em Salvador e fui a primeira do nosso grupo a pisar no solo baiano. Como poderia esquecer isso e o inusitado bolo surpresa num posto de beira de estrada em algum lugar no (infinito) estado de Minas?

2014, quanta diferença… uma curta viagem de avião, eu e meu amado gringo. Em oposição ao colchonete no chão da universidade que me recebeu em 2004, dez anos depois prezamos pelo conforto. Afinal, já não tenho vinte e poucos e o budget para a viagem já era um tanto mais que os R$ 250 que me cabiam nos tempos de estudante.

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(photo by namorido)

Refazendo caminhos, entendo que o tempo passou para as duas, a cidade e eu. Para minha surpresa não encontro os constantes ‘amarradores de fitinhas’ e as baianas de saia rodada parecem menos incisivas que aquelas que nos abordaram para as fotos por “dois real…dois real…”  (ou era um mais inflacionado “dez real…dez real…”?!). O centro histórico já não me remete a desagradáveis memórias olfativas e suponho que o negócio de vender acarajé já não esteja em alta dado que existem esquinas livres de barraquinhas.

O tempo fez bem a cidade e talvez (apesar dos protesto) também a Copa tenha colaborado. Fevereiro de 2014, Farol da Barra e imediações era uma confusa e esperançosa bagunça em função das reformas. Mas o tempo também se encarregou de por fim às atividades de um interessante shopping a céu aberto onde nós, matemáticos, um dia dançamos forró até os pés doerem. Uma pena 😦

Claro que a viagem de 2014 não foi feita apenas de revisitas. A famosa praia de Itapuã, por exemplo, não foi parte do nosso roteiro – talvez porque não fiz a menor questão de lembrar a versão da música de Vinicius composta em 2004, “Passar uma tarde em Itapuã, levar um tombo em Itapuã…oh, rolar nas pedras de Itapuã… ai ai ai, Itapuã”. Para banho de mar acabamos aderindo a sugestão do pessoal local e passamos nossas manhãs na praia do Porto da Barra. Suas águas claras e a vista para o Forte de Santa Maria quase fazem esquecer que se trata de uma praia urbana – ‘quase’ pois é apinhada de gente e a cada dois passos tem alguém oferecendo cadeira/guarda-sol.

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praia do Forte da Barra

Com um pouco mais de tempo (e estrada) fomos à praia do Forte, incluindo projeto Tamar e uma pausa na praia de Guarajuba – que parece ter saído de uma catálogo de agência de viagens. O passeio foi ‘organizado’ à moda do preguiçoso: day-trip reservada na recepção do hotel. Menos dor de cabeça e nem tanto dinheiro assim (nada que três onças não pagassem para os dois).

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Guarajuba – BA

Em dez anos, tanta coisa muda e de repente a Salvador que não me despertava interesse (afora as lembranças de uma viagem da turma) passou a destino de viagem que recomendo.

Meus agradecimentos ao respectivo que insistiu em conhecer a primeira capital do meu Brasil (aliás, você sabia disso?!) e meus agradecimentos às companhias aéreas e seus finais de semana de preços promocionais.

E então, que lugar está precisando de uma segunda chance de sua parte?

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Lembranças de um Carnaval

Falar em lembranças de Carnaval pode parecer um tanto equivocado (ou até perigoso) haja visto as tantas amnésias alcoólicas que regem esse período. Mas se engana quem pensa que vim falar de Carnaval em Praga. Apesar deles fazerem suas tentativas com o tal de Carnevale (que mostrei no blog AQUI e AQUI), o feriado não consta no calendário tcheco e confesso que se não fossem as redes sociais teria passado desapercebido. Uma vez que fui lembrada, eis me aqui, na minha simples terça-feira, escrevendo memórias de um Carnaval (ou quase isso).

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Já nos meus tempos de revista Querida sonhava um Carnaval atrás do trio elétrico. Para alegria-alívio da mamãe, Salvador estava longe (em quilômetros e URVs nas minhas economias). É certo que agora a distância envolvia cruzar um oceano. É certo que nosso Carnaval em Salvador aconteceu em fevereiro de 2014, apesar do calendário dizer que o feriado só viria em março.

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(photos by namorido)

Se na Bahia é Carnaval o ano inteiro não sei, mas nas semanas que antecedem o dia D, sim… Salvador respira Carnaval. Cada dia acontece o ensaio de pelo menos um bloco e com sorte, como aconteceu conosco, você pode até esbarrar com Olodum pelas ruas do Pelourinho.

Sabe qual a melhor parte?! Sempre tem alguma coisa acontecendo de graça.

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Nossa terça-feira de (não) Carnaval em 2014 foi assim:

18h, missa inusitada na Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos. Cerveja sentados nas escadarias da Fundação Casa de Jorge Amado. Bancar segurança do catador de latinhas (na verdade, fomos segurança da latinhas do catador). E quando prontos para bater em retirada, o vendedor ambulante nos dizer: “Vocês vão agora que o Olodum está vindo aí?” Ficar e confirmar que o baiano estava falando a verdade. Curtir os tambores do Olodum pelas ruas do Pelourinho. Fim do show, dar uma espiadinha no bloco que estava rolando no Largo Quincas Berro D’Água. Relutantes, comer acarajé da baiana ali em frente a festa (e surpresa… não tinha gosto de nada). Ter meus cincos minutos de fama e ‘ganhar’ uma flor feita de folha de coco no Largo Terreiro de Jesus de um baiano que se aproximou de nós com um ‘whatsyourname’ (afinal, virei gringa só por estar acompanhada do nitidamente estrangeiro namorido). Táxi para o hotel declarando o fim da terça-feira de (não) Carnaval.

Não sei se isso é pergunta que se faça, mas… alguma lembrança de Carnaval por aí?!

Férias!

Eis me aqui, voltando de férias.
Um mês no Brasil, nenhuma linha (como se pudesse se esperar algo diferente disso)

Esse um mês pode se traduzir em…

…muitas horas de aeroporto/ônibus/estrada (o que está longe de ser ruim, é apenas o preço que se paga por férias viajadas)

…três estados: São Paulo, Santa Catarina, Bahia – (re)descobrindo meu próprio país

…rever pessoas queridas, fazer novos amigos

…sol…sol…5 gotas de chuva…mais sol

…noites mal dormidas em virtude do calor

…noites em que…ZZzzZ…o cansaço venceu até a boa educação (desejar ‘boa noite’ pra quê?!)

…um livro lido (e um finalizado), mas totalmente alienada do que se passou nos blogs-amigos

…desempenhar vários papeis: filha, namorada, irmã da noiva, madrinha brincalhona, prima, tradutora (de meia tigela), motorista, guarda-costa, GPS, aplicadora de protetor solar, segurança de catador de latinhas…e até colombiana por 15 minutos

…longe da cozinha…pensando bem, correto seria dizer: visitando a cozinha apenas para comer (e para minha surpresa, nenhuma mudança drástica registrada pela balança)

…sabor de Carnaval (nem mesmo a missa escapou a atmosfera de axé em Salvador)

Um mês de tão poucos dias. Um mês de muitos sorrisos.

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…até a melancia sorriu