Das batalhas encenadas

É sábado, no sofá curtimos nosso momento de preguiça pós-café da manhã (às 13h) até que um som abafado nos chama à sacada. Parecem explosões/fogos ao longe. Num estalo (literalmente) me dou conta do que está acontecendo. “Perdemos a batalha de Lamač, digo ao tcheco. Sim, estou falando do fim da guerra Austro-prussiana; mas ganhar ou perder é algo já de longe determinado. O que estava acontecendo então?
Uma encenação da tal batalha.

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Não acompanhamos a ‘vitória’ austríaca em defesa de Bratislava. Mas chegamos a tempo de ver ainda os soldados — vencedores e perdedores.

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Mas de batalhas encenadas, outra sim acompanhei de verdade: a batalha de Bilá Hora — a batalha da Montanha Branca. Um marco no fim da participação da Bohemia (i.e. Czechia) na Guerra dos Trinta Anos; uma guerra talvez chamariam santa, haja visto a briga dos interesses políticos se dividiam em catolicos e protestantes.

A encenação de 2015 aconteceu num sábado fresco de setembro em Bilá Hora mesmo, hoje um distrito de Praga. Tentei “recriar” o teatro aqui pra vocês. Enjoy! gif-batalha

É tempo de Vinobraní

Em agosto relembrei AQUI a veia enóloga dos tchecos. O texto, originalmente publicado no blog Brasileiras pelo Mundo, fala das tradições que envolvem a produção do vinho na região da Morávia.

A festa da colheita, o Hody, já ficou para trás; a produção do vinho de 2015 já está em andamento e os motivos para festar continuam. É tempo de Vinobraní! Como expliquei no post lá no BPM:

(…) Vinobraní, literalmente se traduz como a colheita das uvas. Na prática, o Vinobraní remete aos festivais de vinhos que acontecem, por exemplo, em Mikulov, Znojmo e também em Velké Pavlovice. (…) Entre degustação de vinhos e concertos ao ar livre, a estrela da festa talvez seja o burčák, o vinho jovem – o produto obtido durante a primeira fermentação das uvas, o que poderíamos chamar de primeiro estágio do vinho. Este, em geral, está disponível em boa parte das feirinhas ao redor da cidade.

Nesse fim de semana vou ter minha dose de burčák na festa que acontece em Mikulov. Só espero lembrar meu próprio conselho:

(…) vá com calma (no burčák), mesmo se tratando de um meio termo entre suco de uva e vinho, mesmo não sendo totalmente alcoólico, suas características de bebida fermentada  podem ter efeitos laxativos. Beba sim, mas com moderação.

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Se você ficou curioso sobre a festa em Milkulov, veja a programação do evento AQUI. 😉


ESSE post contém trechos do texto PUBLICADO ORIGINALMENTE NO BLOG BRASILEIRAS PELO MUNDO. PARA VER O POST NA ÍNTEGRA, CLIQUE AQUI.

Hody, a festa

É tempo de festa e vinho em Czechlands. Em 2013 pude ver de perto as festividades da colheita das uvas e (preguiçosamente) mostrei no blog o que meus olhos viram (confira AQUI). Mas os detalhes das tradições que envolvem a festa contei num post para o Brasileiras pelo Mundo ano passado. Olhando o calendário vi que Hody em Velké Pavlovice acontece nesse fim de semana. Então, vamos lembrar parte do texto publicado no Brasileiras pelo Mundo e quem sabe você se anima a festejar na Morávia 😉

* * *

Falar em vinho tcheco é falar da Morávia. Localizada no sudoeste da República Tcheca, a região da Morávia do sul faz fronteira com os vizinhos Eslováquia e Áustria. Além de ser responsável por mais de 90% da produção de vinho da República Tcheca, é também nessa região que se encontra a segunda maior cidade do país, Brno.

E no que diz respeito ao vinho, os meses de Agosto, Setembro e Outubro são especiais. É hora da colheita, do vinho jovem e, claro, tempo de celebrar tudo isso com muita festa, ou em tcheco Hody. Um festival de tradições e costumes (muitos deles anteriores a você e eu) pipocando pelas vilas e cidades da Morávia do sul. Por ter também uma conotação religiosa, as datas variam de acordo com o santo patrono do local. Em alguns casos a celebração não é muito mais do que uma quermesse, mas quanto mais ao sul, maior e mais tradicional a festa.

Esse é o caso de Velké Pavlovice no mês de Agosto. Mais que uma festa da fartura, da colheita e uma celebração à patronesse (a Virgem da Assunção), o Hody é de certa forma um rito de passagem. É quando os jovens de 18 anos tem uma participação mais destacada na festa.  Vestidos em trajes tradicionais, cantam, dançam e festejam sua maioridade (bebendo vinho, é claro).

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(…) Em linhas gerais a festa acontece assim:

Um desfile se inicia apenas com os rapazes frente a algum PUB tradicional na cidade (onde eles estiveram reunidos se preparando para o evento). A essa altura já estão todos designados aos seus papéis: um casal é escolhido como principal dentre os jovens iniciantes, são chamados stárek, o rapaz, e stárka, a moça; não menos importante é o guardião do vinho, sklepník, que irá acompanhar e servir os participantes durante a procissão. O objetivo é a casa da stárka, onde as moças estão a aguardar seu pares.

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Eis então o clímax do desfile. Como um cortejo simbólico, stárek vem como que a pedir permissão aos pais da stárka para que ela os acompanhe. Muita música e dança acontecem nesse momento em frente a casa quando as moças vem dar o ar da graça num show de cores com seus vestidos armados. É também momento de se refrescar com a cortesia dos pais da moça a servirem refrescos aos membros do desfile e também àqueles que apenas acompanham com sua curiosidade.

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Dado o encontro, seguem todos, rapazes e moças, para o ponto central da festa. Este, por sua vez, que não é difícil localizar. No centro do espaço do evento se ergue alto Mája, um mastro feito do tronco de um pinheiro (ou mais) cujo topo é decorado com fitas coloridas – arriscaria dizer que se trata do nosso pau de sebo, mas aqui é meramente decorativo sem prêmios para quem decide escalá-lo. Quanto mais alto, mais prestigiada e bem cotada é a festa entre as vilas vizinhas.

O desfile é apenas o anúncio da festa que há de se desenrolar por toda a noite num clima de quermesse em torno de Mája, com músicas tradicionais e dança ao estilo polka – ou paralelamente, numa discoteca não muito longe da festa central, a moda que o DJ escolher.imageedit_16_2718930669


ESSE TEXTO FOI PUBLICADO ORIGINALMENTE NO BLOG BRASILEIRAS PELO MUNDO. PARA VER O POST NA ÍNTEGRA, CLIQUE AQUI.

 

O futebol dos tchecos

O futebol dos tchecos acontece num rinque de patinação, as chuteiras são substituídas por patins de gelo e quem faz a vez da bola é um disco de borracha. Estamos falando de hockey. Não que o futebol não tenha seu espaço por essas bandas, pois tem sim. Mas se há algum esporte com honras de paixão nacional para os tchecos, sem dúvida há de ser o hockey no gelo. E não haveria como ser diferente. Doze vezes campeão da World Championship, a Republica Tcheca é um dos ‘The Big Six’ – o grupo de países que dominam os resultados das competições internacionais de hockey.

1° de maio não foi apenas o dia dos beijos em Petřín e dos protestos (tão comuns no dia do trabalho) na Václavské náměstí. A última sexta-feira marcou também o início do Campeonato Mundial de Hockey, que neste ano tem sede na Republica Tcheca.

Mas o que eu sei de hockey?

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N-A-D-A. Nem mesmo a hora certa de gritar ‘gol’ (o jogo é tão rápido para meus olhos que é sempre mais seguro aguardar a reação das pessoas e seguir no fluxo). Mesmo assim, quando voltei para Praga em 2012 quis conferir um jogo de perto.imageedit_9_2066236101

A partida escolhida: Slavia x Kometa Brno. Um frio de quase -10°C fora da arena (e um frio pouco melhor dentro da arena). Ainda assim, saca só as team leaders:imageedit_12_6637202832

Foi uma noite interessante (quase uma girls night, não fosse minha inocente intervenção), uma partida sofrida que terminou nos pênaltis. Nem era preciso conhecer regras para que a habilidade desses jogares me despertasse admiração. Habilidade de ir e vir, de cair e levantar.  Mas é claro que uma dose de agressividade também se fez notar.

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Não tenho esperanças de entender hockey, mas independente disso posso prever que a TV em casa vai fazer hora extra esses dias e eu assumirei meu cargo de Czech team leader (contudo com roupas bem quentinhas, pois é o que pede essa primavera xôxa).

E vocês? Entendem de hockey por aí? Estão torcendo para quem?

Queimando bruxas (e o que restar do inverno)

Semana curta por aí?! Pois em boa parte do mundo também, creio eu. Comentei AQUI que 1° de Maio é mais do que apenas o feriado do dia do trabalho, é também dia do amor. Mas se engana quem pensar que esse é o único destaque dessa semana.

Antes que chegue maio, com todo o romantismo de Máj, temos de encarar as bruxas no último dia de abril:imageedit_10_8957805179

Não, esse não é um Halloween antecipado ou a versão tcheca de tal. Dia 30 de abril é quando, tal qual membros da inquisição, os tchecos mandam as bruxas para a fogueira. Ok, bruxinhas, nada a temer. Apenas a representação de uma bruxa há de virar cinzas.imageedit_2_6992658134

Mas os motivos para brincar com fogo passam longe dos da santa inquisição. A tradição tem um ‘Q’ de paganismo e pode até soar é um rito de passagem: um último adeus ao inverno. Explico. Acreditava-se que as bruxas se valiam do tempo frio para se manterem poderosas e fariam de tudo para que o inverno perdurasse. Portanto, queimando bruxas (ou seu vudu de pano, como de fato acontece) seria uma forma de queimar também os resquícios do inverno (tomara, tomara, amém).

E enquanto a bruxa pega fogo, por que não aproveitar para assar umas linguiças?

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(em meio a toda fumaça, você consegue ver a pessoinha fazendo churrasco?)

S. Pedro não parece estar muito de acordo com a queima de bruxas esse ano, mas se a fogueira queimar o bastante pra dar fim nesse inverno já fico feliz 😉


As fotos são da festança no parque Ladronka no ano passado.
As informações culturais sobre a data eu obtive AQUI.