Das batalhas encenadas

É sábado, no sofá curtimos nosso momento de preguiça pós-café da manhã (às 13h) até que um som abafado nos chama à sacada. Parecem explosões/fogos ao longe. Num estalo (literalmente) me dou conta do que está acontecendo. “Perdemos a batalha de Lamač, digo ao tcheco. Sim, estou falando do fim da guerra Austro-prussiana; mas ganhar ou perder é algo já de longe determinado. O que estava acontecendo então?
Uma encenação da tal batalha.

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Não acompanhamos a ‘vitória’ austríaca em defesa de Bratislava. Mas chegamos a tempo de ver ainda os soldados — vencedores e perdedores.

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Mas de batalhas encenadas, outra sim acompanhei de verdade: a batalha de Bilá Hora — a batalha da Montanha Branca. Um marco no fim da participação da Bohemia (i.e. Czechia) na Guerra dos Trinta Anos; uma guerra talvez chamariam santa, haja visto a briga dos interesses políticos se dividiam em catolicos e protestantes.

A encenação de 2015 aconteceu num sábado fresco de setembro em Bilá Hora mesmo, hoje um distrito de Praga. Tentei “recriar” o teatro aqui pra vocês. Enjoy! gif-batalha

Uma estrada qualquer na Moravia (Czechia)

Sexta-feira. De manhã estou na faculdade de engenharia como que promovendo gauge integrals. A tarde, visita burocrática no instituto. A noite, as ensolaradas 18h, estamos em terras tchecas. E depois de jantar sopa de feijão e falar de pés de tomates selvagens, estamos na estrada. Uma estrada qualquer, que talvez até fosse para num calendário; dessas com uma fileira de árvores de cada lado a determinar onde termina a estrada e onde começam as plantações, ainda verdes, de trigo. Uma estrada que noutra vida deve ter sido um passeio que viu muitos glutões. Suas árvores não são puramente frondosas, são cerejeiras – hoje carregadas de frutos num provocativo vermelho a atiçar os motoristas.

Sexta-feira, noite clara, e estamos pendurados nos galhos dessas provocadoras.image

E embora sejam árvores sem dono, parece existir um suculento sabor de fruto surrupiado somado ao doce-azedo de cada cereja. Não há sacolas, não se trata de  algo premeditado. Tudo acontece no aqui-agora, o quanto couber nas mãos, na boca e no estomâgo.image

Na volta pra casa, língua de fora – como se isso pudesse aumentar a capacidade de armazenamento do estômago.image

Na volta pra casa, apontam a estrada das peras, das nozes… e minha gula da pulos de ansiedade, já sonhando o outono na Moravia que há trazer essas delícias 🙂

Recebendo o ano novo (em dose dupla)

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Fogos na virada, sim senhor. Mas aqui o que se segue à contagem regressiva é apenas a primeira boas vindas ao novo ano. Além do show a meia noite (promovido pelos hoteis e restaurantes), há ainda uma queima de fogos nas primeiras horas da noite do primeiro dia do ano, i.e., às 18 horas do dia 01.01 o espetáculo se repete (dessa vez com dinheiro da prefeitura). A queima de fogos (oficial) que acontece na noite do dia 1º não é mera festividade de Reveillon, vem celebrar também a formação da República Tcheca enquanto país (veja mais sobre os fogos de 2016 AQUI). Há quem diga que a queima de fogos às 18h é a festa de ano novo das famílias (já que os bêbados da virada possivelmente ainda estão em casa curando a ressaca…hehe).

Seja pelo motivo que for, não acho ruim assistir a duas queima de fogos. Praga é ou não é o lugar para festejar a chegada de um novo ano?! 😉

Intriga

Resoluções de Ano Novo por aí?!
Com as palavras de Daniely Duarte, do blog Uma boa dose, venho lhe desejar um feliz 2016 e sucesso em suas resoluções.

Uma Boa Dose

Promessas são intrigantes.
Não sou muito de prometer, porque acredito que afirmações de compromissos do futuro têm grande poder sobre o que temos pouquíssimo controle. Quando prometemos, entregamos nosso amanhã a um plano determinado e permitimos que expectativas ocupem o espaço inexistente entre o agora e o depois. Criamos uma noção diferente de tempo, que nos envolve em questões como honra, fé e decepção. Em busca de conhecermos minimamente o futuro, deixamo-nos a esmo da combinação de nossos esforços com o acaso.

Mas as promessas também são nosso mais alto grito de esperança. Com elas, marcamos nossa capacidade de acreditar e de nos comprometer com o desconhecido. Escancaramos nossa coragem e nossas crenças do presente, expandindo nossos princípios à continuidade. Batemos nos ombros dos nossos eus do futuro, pedindo-os que não abandonem nossas decisões de agora. E, mesmo assim, durante o caminho, devemos lembrar que estaremos seguindo placas em uma…

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Natal – depois da carpa, o porquinho

O título do post não vem anunciar mais comilança ou o tradicional schnitzel que se serve no almoço do dia 25. Varias superstições cercam a véspera de Natal em Czechlands, e por alguma razão que foge ao meu entendimento esse povo sem religião preza uma forma de jejum no dia 24. Diz a superstição que as crianças que controlarem a comilança até a hora do jantar de Natal verão zlaté prasatko, porco de ouro. imageedit_3_8625020075

Outra variante faz menção apenas a abstinência de carne. Sendo um ou outro, a superstição foi eternizada desde que virou tema do comercial da Kofola (a versão tcheca da coca-cola). Independente de como foi seu dia 24, divirta-se com o ‘porquinho de ouro’