Férias em 50 palavras

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Inesperada. Curta. Completa. Rio de Janeiro. Sol, mar e protetor solar. Táxis amarelos. Flip-flops. Família. Amigos. Churrasco brasileiro, cerveja tcheca. Oscar na TV. Torcida. Poupatempo. Estrada. Foz do Iguaçu. Encantamento. Quatis ‘assaltantes’, araras vibrantes. Itaipu. Escalodasamente água. Família. Video-game. Sorvete. Bate-papo. Dirigir. Afilhados. Jogo de tabuleiro. Festa surpresa. Malas…. saudades.

Salvador, a segunda chance

Quando comentei aqui que o abadá não se ajustou à minha aborrecência, faltou dizer que isso não foi apenas para tranquilidade da mamys, mas parece que foi também para minha mais completa satisfação. Salvador veio acontecer nos tempos da facul, para uma Gi que fazia mais que viver mal humorada por conta do cabelo rebelde. Só não imaginava que o gostinho de Carnaval viria 10 anos depois daquela primeira visita.

DEZ anos!!

2004, muitas horas de onibus fretado, estradas ruins e ótima companhia: um bando de matemáticos (atípicos) a caminho de uma conferência. Das palestras não me recordo, mas não esqueço que o evento teve início dia 25 de outubro. A precisão de tal lembrança? Dia 24, meu aniversário, chegamos em Salvador e fui a primeira do nosso grupo a pisar no solo baiano. Como poderia esquecer isso e o inusitado bolo surpresa num posto de beira de estrada em algum lugar no (infinito) estado de Minas?

2014, quanta diferença… uma curta viagem de avião, eu e meu amado gringo. Em oposição ao colchonete no chão da universidade que me recebeu em 2004, dez anos depois prezamos pelo conforto. Afinal, já não tenho vinte e poucos e o budget para a viagem já era um tanto mais que os R$ 250 que me cabiam nos tempos de estudante.

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(photo by namorido)

Refazendo caminhos, entendo que o tempo passou para as duas, a cidade e eu. Para minha surpresa não encontro os constantes ‘amarradores de fitinhas’ e as baianas de saia rodada parecem menos incisivas que aquelas que nos abordaram para as fotos por “dois real…dois real…”  (ou era um mais inflacionado “dez real…dez real…”?!). O centro histórico já não me remete a desagradáveis memórias olfativas e suponho que o negócio de vender acarajé já não esteja em alta dado que existem esquinas livres de barraquinhas.

O tempo fez bem a cidade e talvez (apesar dos protesto) também a Copa tenha colaborado. Fevereiro de 2014, Farol da Barra e imediações era uma confusa e esperançosa bagunça em função das reformas. Mas o tempo também se encarregou de por fim às atividades de um interessante shopping a céu aberto onde nós, matemáticos, um dia dançamos forró até os pés doerem. Uma pena 😦

Claro que a viagem de 2014 não foi feita apenas de revisitas. A famosa praia de Itapuã, por exemplo, não foi parte do nosso roteiro – talvez porque não fiz a menor questão de lembrar a versão da música de Vinicius composta em 2004, “Passar uma tarde em Itapuã, levar um tombo em Itapuã…oh, rolar nas pedras de Itapuã… ai ai ai, Itapuã”. Para banho de mar acabamos aderindo a sugestão do pessoal local e passamos nossas manhãs na praia do Porto da Barra. Suas águas claras e a vista para o Forte de Santa Maria quase fazem esquecer que se trata de uma praia urbana – ‘quase’ pois é apinhada de gente e a cada dois passos tem alguém oferecendo cadeira/guarda-sol.

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praia do Forte da Barra

Com um pouco mais de tempo (e estrada) fomos à praia do Forte, incluindo projeto Tamar e uma pausa na praia de Guarajuba – que parece ter saído de uma catálogo de agência de viagens. O passeio foi ‘organizado’ à moda do preguiçoso: day-trip reservada na recepção do hotel. Menos dor de cabeça e nem tanto dinheiro assim (nada que três onças não pagassem para os dois).

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Guarajuba – BA

Em dez anos, tanta coisa muda e de repente a Salvador que não me despertava interesse (afora as lembranças de uma viagem da turma) passou a destino de viagem que recomendo.

Meus agradecimentos ao respectivo que insistiu em conhecer a primeira capital do meu Brasil (aliás, você sabia disso?!) e meus agradecimentos às companhias aéreas e seus finais de semana de preços promocionais.

E então, que lugar está precisando de uma segunda chance de sua parte?

Férias!

Eis me aqui, voltando de férias.
Um mês no Brasil, nenhuma linha (como se pudesse se esperar algo diferente disso)

Esse um mês pode se traduzir em…

…muitas horas de aeroporto/ônibus/estrada (o que está longe de ser ruim, é apenas o preço que se paga por férias viajadas)

…três estados: São Paulo, Santa Catarina, Bahia – (re)descobrindo meu próprio país

…rever pessoas queridas, fazer novos amigos

…sol…sol…5 gotas de chuva…mais sol

…noites mal dormidas em virtude do calor

…noites em que…ZZzzZ…o cansaço venceu até a boa educação (desejar ‘boa noite’ pra quê?!)

…um livro lido (e um finalizado), mas totalmente alienada do que se passou nos blogs-amigos

…desempenhar vários papeis: filha, namorada, irmã da noiva, madrinha brincalhona, prima, tradutora (de meia tigela), motorista, guarda-costa, GPS, aplicadora de protetor solar, segurança de catador de latinhas…e até colombiana por 15 minutos

…longe da cozinha…pensando bem, correto seria dizer: visitando a cozinha apenas para comer (e para minha surpresa, nenhuma mudança drástica registrada pela balança)

…sabor de Carnaval (nem mesmo a missa escapou a atmosfera de axé em Salvador)

Um mês de tão poucos dias. Um mês de muitos sorrisos.

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…até a melancia sorriu

Perfeição

10°C lá fora. Aqui dentro, uma coleção de cobertas sob as quais é quase impossível se mexer. É noite, está frio: hora de DVD. O filme?! Nenhuma novidade, apenas uma escolha entre aqueles que já rodaram um incontável número de vezes (mas não o suficiente para nos permitir antecipar os diálogos).
Pipoca, chá, mais pipoca…tudo isso dividido sob o mesmo edredom – pra ver se o calor humano dá jeito nos 9°C que devem estar (também) aqui dentro. E assim, sem grandes anúncios, acontece o momento mais perfeito desses dias, meses, anos (desde de novembro de 2011). Perfeição que faz valer cada centavo gasto e cada hora ociosa desse vôo trans-atlântico que me trouxe aqui. Valeu tudo isso para ter, aninhada nos meus braços, essa pessoinha linda (agora entretida com pipoca e filme). Acho que ela nem se apercebe da perfeição que me proporciona…mas eu estou atenta e amando cada minuto.

Valeu cada centavo gasto, cada hora de viagem e até o frio de tremer os ossos só para viver uns minutos de perfeição revendo um filme, com pipoca e chá.