Antes que fique frio/quente (ou vamos fazer uma sopa)

Primavera ou outono, parece que em nenhum dos hemisférios andamos muito satisfeitos com o clima. Enquanto 18°C no Brasil já leva alguns amigos a recrutarem o moletom, eu estou aqui sonhando algo acima dos 13°C para desentocar minhas saias e vestidos do armário. Quero ser otimista e pensar que dentro em breve nos encontraremos no meio do caminho (e que seja, por exemplo, nos 17°C). Como aparentemente, no quesito temperaturas, vamos seguindo em direções opostas, antes que fique quente de mais por aqui e frio de mais por aí, vamos falar de sopas.

O que para nós brasileiros é uma refeição de inverno, para os tchecos é um comum prato de entrada (mesmo no verão). Por isso, é óbvio que há diferenças. Nossas sopas são mais encorpadas quando lado a lado ao que se serve de entrada por aqui. E apesar da batata reinar seja no Brasil ou em Czechlands, há uma grande diferença nos ingredientes que fazem a cozinha tcheca. Eis alguns itens muito comuns, mas que foram novidade para mim: petržel, raiz da salsa; celer, aipo (raiz inclusa); kmín, cominho (que por muito tempo achei que era um tal de endro).

Ok, chega de blá-blá-blá… vamos preparar uma bramboračka para o friozinho?! Essa sopa tcheca a base de batata (brambora, em tcheco) e cogumelos é uma das minhas favoritas. Em muitos restaurantes, ela é servida dentro do pão.

(muitas vezes servida dentro do pão)

Anota aí o que você vai precisar:

– 1 cebola picadinha
– 50 g de farinha de trigo
– 50 g de manteiga
– 4 batatas médias (em cubinhos)
– 2 cenouras (em cubinhos)
* 1 pedaço médio de celer sem fatiar (ou seja, um pedaço da raiz do aipo)
– 1 petržel cortado em rodelas (ou seja, uma raiz da salsa)
– 1 colher (chá) de kmín granulado (ou seja, cominho)
– 1 cubo de tempero (tipo knor/maggi) sabor legumes
– 2 punhados generosos de cogumelos secos
– sal, pimenta do reino (em pó), paprica vermelha (em pó) e manjerona a gosto

* a raiz do aipo costuma ser bem gorducha, então um “pedaço médio” pode variar entre metade a 1/4 do celer previamente descascado. Lembrando: pedaço sem fatiar**

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Antes de começar, coloque os cogumelos numa vasilha com água para hidratá-los (convém dar uma ‘lavada’ antes de deixar os fulanos de molho). Você vai precisar de uma panela que comporte de 1,5 litro a 2 litros. Frite a cebola na manteiga e adicione o trigo quando estas ficarem transparentes. Incorpore bem o trigo e adicione 1,5 litro de água (morna, de preferência para agilizar o cozimento). Mexa bem até dissolver todo o trigo e também o cubo de tempero. Adicione o cominho, os legumes e os cogumelos (encharcados, mas não adicione a água usada para hidratar em si). Deixe cozinhar até que as batatas fiquem macias. Para finalizar acerte o sal e divirta-se com os temperos (pimenta do reino, paprica doce/apimentada e manjerona são minhas escolhas). Deixar ou retirar o pedaço de celer fica a seu critério.**

Sua bramboračka está pronta!!

Se você fizer, me conta depois como ficou?!


** Tanto celer quanto petržel são raízes bastante aromáticas; o primeiro mais que o segundo. Por isso na receita é sugerido colocar o pedaço de celer sem fatiar, de modo que ele dará apenas um leve sabor na comida. De toda forma, antes de excluí-lo de sua sopa, que tal experimentá-lo?! Eu só tiro o celer da sopa pra cortar em dois pedaços: um pra mim e um pro namorido. 😉

Enquanto o Sr. Forno não vem

Venho por meio deste perturbar a paz da sua tarde pra fazer uma perguntinha báaaaaaaaasica: alguém aí já testou isso que chamam bolo de caneca de microondas?

Pois é, cansada dessa vida de não-boleira, resolvi apelar. Na verdade, contrário ao que se lê no título, o Sr. Forno até já veio (contei nesse post AQUI), mas acontece que – uma semana depois e – ele continua habitando o chão da sala. Já o microondas, esse existe aqui desde que me juntei ao respectivo e só hoje pensei que ele poderia fazer mais que promover apenas minha felicidade com pipoca.

Bolo de caneca era pra ser algo simples, certo? Tipo: coloca os ingredientes na caneca, mistura, leva a caneca pro microondas, uns minutinhos e…pronto, isso é tudo. Quem disse que consegui?!

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Então o que era pra ser um rápido bolo de caneca virou uma (quase) produção em série depois que vi que funcionava.

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Bem…sobre ‘funcionar’…foi isso o que pensei quando o fulaninho aí saiu do forno. Só não contava que, enquanto eu preparava a massa pra segunda rodada, o bolo n°1 sofreria uma metamorfose. A tal sobremesa era agora uma arma de defesa pessoal: uma pedra. 😦

Talvez eu devesse ter optado por um bolo de frigideira como me recomendaram os amigos que consultei a respeito. Mas que fazer se não confio nesse fogão (por resistência ou convecção ou seja lá como essa m…digo, essa coisa funciona). Passados os 10 minutos de depressão, entendi que aquele bolo-pedra não estava assim por vontade própria ou por eu ter poderes tal qual Medusa. No vocabulário dos microondas, ‘endurecer’ significa simplesmente ‘queimar’.

Então, era só uma questão de tempo e…tcharam…bolo de caneca…

DSC05893_2592x1944…ou não exatamente.

Fato é que o café da manhã de amanhã já está pronto e fofinho. Agora com licença, vou ali fazer uma calda…afinal se é pra ser gordice, que seja uma gordice bem feita 🙂

* * *
P.S. Agradeço aos amigos que hoje me aturaram com esse papo ‘dona de casa’ via email e também a blogueira Vânia cuja sugestão deixada num post passado acabou por inspirar tudo isso.

Um outono de maçãs

Passado o mês pleno de dúvidas calendariais, estamos acertados de que é Dezembro (até neva no meu blog) e não falta muito para a despedida do Outono. Desde criança ouço dizer que essa é a estação das frutas. Se é ou não é, nunca cheguei a saber. Afinal, a meu ver, Outono num país tropical define-se por negação: não-inverno, não-verão e tão pouco primavera.

Aqui, Outono é a visível mudança do verde para o laranja-amarelo-vermelho. E se Outono tivesse de ser uma fruta, haveria de ser maçã. Photo0208

Ao menos foi assim que aconteceu pra mim: chegar em casa e descobrir uma caixa cheia de maçãs. Não dessas ajustadamente perfeitas que ‘vêm’ do saquinho com emblema da Turma da Mônica. Maçãs de verdade, que se colhe no pé da macieira…arvores essas que reinam livres e absolutas por aqui. E eu, que de maçã só sei fazer bolo com aveia e canela (receita da Si que descobri ter vindo da tia Li), precisei estudar. O químico da casa perdeu o posto no laboratório experimental que virou a cozinha e passou a simples cobaia. Entre sucessos e insucessos, as maçãs viraram:

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Photo0212cheesecake (com smetana); cuca (desastrosa);  torta com massa folhada e creme de tvaroh, cuca (dessa vez de verdade); mini folhados…

A caixa foi se esvaziando aos poucos e no fim o tempo de maçãs foi tudo, menos bolo.
Hum…talvez isso justifique minha cobaia aparecer em casa essa semana com mais maçãs (um pedido silencioso pelo bolo?!). Acho que vou precisar reiniciar minha pesquisa por novas receitas…rs

Eu só queria comer

Domingo a noite, friozinho, pede sopa. E nessa minha atual condição de moradora temporária de flat sem apetrechos de cozinha (apesar da cozinha em si ser linda), apelei para sopa pronta…pois é. EUzinha comprando comida pronta.

Eu só queria comer, mas…o que eu faço com o tcheco?!

Do meu bom conhecimento de matematiquês identifico que leva de 3 a 4 minutos. Creio que mikrovinné é microondas e…paro por aí. Como então eu poderia descobrir que antes de levar ao forno é preciso fazer furinhos na tampa plástica? Não descobriria, certamente o potinho ia explodir sujando todo o microondas. Salve São Google (o tradutor). E ‘salve, salve’ o kit de costura que coloquei na mala, do contrário (sem faca ou garfo verdadeiros) não haveria furinhos. O saldo final: barriga cheia e microondas limpinho.

* * * Observações pós-janta * * *

P.S. 1 Descobri essas instruções na embalagem quando fui jogar fora. Auto-explicativas, não? Nem precisava tradutor (só precisava OLHAR a embalagem)

P.S. 2 Recém chegados, para equipar minha cozinha: um prato by 19.9 kc e talheres (que não vou contar que são de plástico e tem desenhos de festa de aniversário no cabo)

Pra alegrar o meu dia

Era um sábado chuvoso e o namorado disse que não viria para o fim de semana.

Triste e sozinha resolvi fazer um bolo pra alegrar o meu dia. Olhando minhas receitas costumeiras, me descobri sem ingredientes para quaisquer delas: nada chocolate ou maçã ou banana…nem mesmo leite. Cá entre nós, um pão-de-ló de água não é exatamente minha definição de ‘receita de felicidade’.

Parada à porta da geladeira, pensando que fazer, vejo uma cerveja long neck (filha única – sobra de uma festa de tempos atrás)…estou salva da mesmice:

Que se faça então um pão-de-ló de cerveja!!

Lembrei Dona Benta e sua receita de bolo imperador. Fiz uma receita reduzida (afinal era só pra mim e, de certa forma, um investimento arriscado).

O bolo ficou levíssimo, a cerveja deu um sabor especial quase indecifrável…e eu?!
…alegrei o meu dia.

E você? O que faz para alegrar o SEU dia?

Hoje ficou tarde pra ligar
Não espere que de longe você vá me namorar
Ás vezes me canso até andar na rua e respirar
Desatando a garganta que aperta de lembrar
Que a saudade é sua