Eu e as palavras

7 anos nessa estrada de palavras.
Quando poderia imaginar que esse blog viveria para me ver ainda-novamente em Praga… quando poderia imaginar que este blog seguiria, de certa forma, a cumprir seu objetivo inicial: estreitar distancias, mostrar meu mundo do outro lado do oceano.
Aos que aqui aparecem de vez em quando… obrigada!

Far away, so close

Não vou dizer que isso começa aqui. Eu e as letras tivemos nossa fase sem-sentido, nas bricadeiras com blocos de madeira. Depois vieram papel, caneta…palavras em caderninhos com cadeados. Chega a ser cômico pensar no meu começo ‘protegido’ quando cá estou escrevendo pra você que ainda não conheço (ou conheço?)

Hoje continuo a escrever em caderninhos protegidos, embora os cadeados já não sejam necessários (moro sozinha). Pra quem escrevo? Por que?

“..estou procurando, estou procurando. Estou tentando me entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi.”
– Clarice Lispector –

Pra mim!! Por mim!! Meu narcisismo me fazia crer que por esses motivos um dia criaria um blog.  Me enganei: escrevo pra vocês e por vocês; de quem já sinto saudades.

Aos que ficaram perdidos. Don’t worry!! Cheguei agora, estou tão perdida quanto vocês.

So…

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Viajando (nas palavras de outrém)

Talvez esse post deveria falar de Praga, dado meu retorno à capital tcheca. Talvez eu devesse recordar causos desse um ano na Eslovaquia. Mas outro dia, conversando com meus botões, percebi que o trimestre que reneguei ao blog viu tantos lugares:

Paris, Londres, algum lugar nos Estados Unidos, tantos outros sitios na Europa e até mesmo Kabul no Afeganistão.

Talvez já esteja claro para alguns que todas essas viagens foram através das palavras de outrém; estive nesses lugares pelos livros que li. Me surpreende que na confusão de caixas de mudança e finalização de projetos tenham se somado mais 7 livros na já existente lista de leitura de 2017.

É certo que alguns desses ‘passeios’ se revelou bastante fútil (Como ser uma parisiense em qualquer lugar do mundo), outros foram totalmente inimagináveis (A costureira de  Khair Khana). Mas foi o Ladrão do tempo quem mais me carregou pelo mundo a fora e me fez pensar nas tantas histórias que cabem numa vida (mesmo que essa não seja uma vida de duzentos de tantos anos).

Já fui criança-peste, irmã protetora, adolescente irritante. Já fui uma inocente professora do jardim de infancia; já fui nada inocente num triangulo amoroso. Já fui concurseira; já trabalhei nos Correios e no Kumon. Já fui universitária careta; já curti as alegrias (etilicas?) da universidade. Já vivi no trânsito de SP, já curti a paz de Sanca

Tantos outros títulos eu poderia incluir nessa lista e cada qual encerra um mundo de histórias (quase sempre) tão distintas do meu hoje que mais parecem uma vida diferente da minha. Quantas histórias não contadas carregamos conosco? Quantas vidas diferentes já vivemos nessa uma vida que temos? Não sei dizer.

Então, uma última pergunta que espero responder: quantos lugares ainda conheceremos pelos livros? Muitos. Tomara muitas vezes muitos.

Voltei!

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Olá, Praga! Pois sim, voltei!

Um ano na Eslovaquia num piscar de olhos. Um piscar de olhos e já se somam dias suficientes para dizer que há um mês tenho um novo cep, num novo-velho conhecido país, Republica Tcheca. Não sabia que minha ausência no blog haveria de encobrir o fim e o começo de tudo. Mas também não sabia quão necessario seria nos mudarmos antes que abril chegasse.

24.03 – 31.03: uma semana de necessaria limpeza, desentendimentos, burocracias, mais limpeza, caixas cheias, caixas vazias, móveis sofridamente montados, moveis carinhosamente celebrados, coisas organizadas, coisas apenas temporariamente escondidas… uma semana de pizza e coca-cola.

Um mês em Praga. Aqui e ali ainda tropeçamos na bagunça, mas olhando ao redor já se sente uma atmosfera de casa. No mais, quero cortinas de renda, vasos de tulipas, um cantinho aconchegante para ler. Quero fotos nas paredes e cadeiras na varanda. Quero visitas e jantares. Quero o ar companheiro do dia-a-dia, pois isso sim faz/fará daqui um lar.

Praga, estou de volta (espero que agora seja mesmo para ficar).

Temporariamente fora de serviço

Fevereiro, o mês mais curto do ano. Quão irritante clichê é essa frase?!

2/1/2017 – começa Fevereiro
… e quando me deparo com o estilo americano de comunicar datas, quero esquecer a convenção mês-dia-ano, quero acreditar que esses números vem me dizer que o ano só começou.

Apenas mais dois meses na Eslovaquia.
Se Fevereiro será curto, Março mais ainda. Entre relatórios finais e caixas de mudança, sei que esse blog vai ficar esquecido junto com as roupas que não serão usadas até que chegue o sol de Abril. Por isso:

fechado

O blog encontra-se temporariamente fora de serviço.
Volto em breve (com um novo cep, em um novo-velho país).

Criando monstros (ou vamos falar de cadernos)

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Pouca escrita por aqui, hein? Isso é mero reflexo do meu eu sem um journal em 2017. Até comecei um caderninho que (bobocamente) chamo “365 drops of happiness”. Ali venho coletando um paragrafo, uma frase ou uma palavra que represente aquilo que me fez sorrir a cada dia (so far so good). Mas um journal, com os detalhes suculentos (doces ou lacrimosos), esse ainda não aconteceu.

Claro que a urgencia de um journal aumenta com o fato de eu estar viajando. Aí entrei numa loja (com varias inutilidades maravilhosas) e comprei o caderno da foto.

Paginas em branco como gosto, tudo cheirando a novo… pergunta se escrevi?! NADA. Não consigo. Bloqueio criativo? Creio que não.

Se eu contar meus porquês, promete não rir?

Ok, lá vai… estou intimidada. Pois é, intimidada. A frase da capa que me pareceu tão esplendida, agora me assusta: “Caderno com superpoderes para ter grandes ideias”

Grandes ideas?! Eu?! Sou 1.59 m de pura dúvida.

Ainda preciso de um journal. Talvez para isso deva esquecer a liberdade das folhas brancas e aceitar andar na linha (mesmo que sejam apenas nas linhas de um caderno). Afinal o diário dos ultimos dias, minhas impressões de Santiago, agora seguem pelo correio nos cartões postais que despachei. Não posso continuar assim… haja cartões postais

Quanto a libreta con superpoderes?! Essa continuará na mesa, me atraindo e repelindo.