O começo de tudo (ou virando estudante no exterior)

Com o aniversário do blog chegando, achei que seria um bom momento para me apresentar. Afinal, pode ser que você tenha caído de para-quedas nesse post, pode ser você que esteja por aqui há algum tempo e não sabe da ‘origem disso tudo’ ou pode ser que tenha apenas se esquecido – esquecimento bastante compreensível, pois já se passaram 5 anos desde que comecei a brincar com palavras nesse blog (veja primeiro post AQUI).

Ano passado, quando fui convidada a escrever para o blog Brasileiras pelo Mundo comecei contando um pouco de mim mesclando com informações sobre bolsas e auxílios para estudar no exterior. Compartilho então parte do texto publicado no Brasileiras pelo Mundo e assim me apresento (e quem sabe dou um empurrãozinho com informações para quem quer estudar no exterior).

 * * *

“E então vim reencontrar minhas origens em Praga. Não, não sou descendente de Tchecos.  A questão é que o apelido ‘praga’ sempre me caiu muito bem e é claro que meus amigos e familiares não poderiam deixar de (carinhosamente) observar esse fato quando, em 2010, eu fazia minhas malas para uma temporada na capital da República Tcheca.

Brincadeiras a parte, para contar como vim parar aqui preciso dizer que sou formada em Matemática (e para continuar minha história, vou fingir não notar sua reação aversiva a menção da disciplina que é pesadelo de muitos na escola). E foi exatamente a Matemática que me trouxe aqui – não uma, mas duas vezes.

primeiro seminario em Praga

primeiro seminario em Praga

Minha primeira estadia em Praga aconteceu durante o doutorado graças a uma bolsa do governo brasileiro. A coisa funcionou mais ou menos assim: estabelecido contato com um professor da instituição daqui, solicitamos o auxílio para a visita científica. Meses depois, a proposta foi aprovada: uma bolsa de estágio de doutoramento que carinhosamente chamamos sanduíche (dado que o período no exterior acontece entre períodos no Brasil).

Sem querer fazer politicagem, é preciso reconhecer que atualmente o governo brasileiro oferece uma grande variedade de suportes financeiros para aqueles que têm vontade de estudar fora e nem é preciso estar num nível de pós-graduação. 

Um programa recente (chamado Ciências sem Fronteiras), por exemplo, funciona através de parcerias com instituições estrangeiras e oferece a chance de realizar parte dos estudos do curso de graduação no exterior. Para tanto é preciso atentar para as vagas disponíveis e então seguir o procedimento de inscrição/seleção (que pode variar conforme o edital da chamada). Outra possibilidade oferecida pelo programa são visitas científicas objetivando puramente a pesquisa (que vão desde nível de graduação até pós-doutorado). Nesse sentido vale mencionar também as bolsas subsidiadas pela CAPES, CNPq e, no estado de São Paulo, pela FAPESP. Cada qual tem suas próprias regras e períodos de inscrição, mas em geral seguem o mesmo padrão aplicado a minha solicitação de bolsa: estabelecer um contato na instituição estrangeira e, em conjunto com um professor no Brasil, submeter um projeto de pesquisa ao respectivo órgão de fomento. Com as opções de auxílio em mente, a questão passa a ser a escolha do país.

Então vocês devem estar se perguntando por que escolhi a República Tcheca? Tal qual muitos brasileiros, eu sequer sabia onde exatamente no globo ficava esse país que é praticamente do tamanho do estado de Santa Catarina. Contudo, já durante o mestrado nomes tchecos e eslovacos eram parte do meu dia-a-dia na universidade. Tudo porque aqui é praticamente o berço da teoria matemática com a qual trabalho – a saber, teorias de integração não-absoluta. Assim, fica claro que a escolha pela Academia de Ciências da República Tcheca foi natural. (…)

Foram seis meses de muito aprendizado (matemático e de vida), então voltei ao Brasil e defendi minha tese. Com título de doutora em mãos, procurava emprego no Brasil sem deixar de buscar por oportunidades no ‘quintal do vizinho’ (ou nem tão vizinho, como é caso da República Tcheca). Assim, me candidatei a uma vaga de pesquisadora visitante exatamente no instituto onde tinha estudado em Praga. Logo estava fazendo as malas e ouvindo as mesmas piadinhas de dois anos antes: “Você vai voltar pra sua terra, Praga”.

Hoje ocupo uma vaga de pesquisadora postdoc na Academia de Ciências – que, diferentemente do Brasil, aqui é um funcionário pagador de impostos como outro qualquer. E mesmo com as diferenças culturais, Praga é hoje um pouco mais minha casa”

Bom, essa sou eu: de estudante à doutora.  Těší mě.


Esse texto foi publicado originalmente no blog Brasileiras Pelo Mundo. Para ver o post na íntegra, clique AQUI.

 

5 respostas em “O começo de tudo (ou virando estudante no exterior)

  1. Prima, simplesmente perfeito.
    Forte abraço, que Deus te ilumine sempre.
    Tomara que essa praga sirva para muitos sonhadores.

    Abs,

  2. Pingback: Letter to my young-self | Far away, so close

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