Foi o Filisteu (ou dos livros da minha infância)

Lendo o blog da Luma, lembranças da Pequena leitora Gi me saudaram quando dei com ilustrações do  ‘O menino do dedo verde‘, livro de Maurice Druon. Não estou certa se li na 3ª ou 4ª série, mas tenho certeza de que foi a primeira vez (senão a única) em que a palavra guerra não soou tão ruim ou tão sem solução.

Claro que na minha infância leitora houveram outros livros (e bons livros) recomendados na escola e que mesmo fragmentados ainda habitam minha memória: O jacarezinho egoísta, A menina e o pássaro encantado, A sementinha bailarina, Flor de maio, O pássaro de ouro… todos devidamente encapados em plástico xadrez e etiquetados, parte da enorme lista de material no começo do ano letivo.

Amo ler e contrariando estatísticas do que dizem influenciar o gosto pela leitura, na história da minha infância não constam visitas a bibliotecas ou uma casa com estantes ricas em livros infantis (as estantes em casa carregavam História antiga e coleções de revistas em eletrônica).

Meu primeiro companheiro mesmo foi o Filisteu. Ele chegou num dezembro junto com a cesta de Natal que meu pai trouxe da fábrica (ou ao menos assim me fizeram crer). Filisteu quem?! Na verdade, nome do livro é “As coisas que a gente fala” e hoje o Google me disse se tratar de uma obra de Ruth Rocha.

as-coisas-que-a-gente-fala

Minha versão anos 80 do livro era exatamente essa aí da foto: as cores variando apenas entre preto, branco e vermelho; com desenhos simples mas que faziam o texto dançar no ritmo do que era escrito. Aliás, eis o mais importante do livro, as palavras.

“E depois que elas (as palavas)* se espalham,
Por mais que a gente procure,
Por mais que a gente recolha,
Sempre fica uma palavra,
Voando como uma folha”

Um conto com gosto de poesia ensinando o valor do que se fala. Talvez tenha sido esse livro, mais que os discursos dos adultos, que me mostrou a cara feia da mentira e as complicações para depois desfazê-la. O Filisteu?! Bem, ele foi só a vítima da mentira que corre páginas e páginas na simples frase ‘foi o Filisteu’.

Hoje há um vasto mundo de livros infantis, só faço votos de que eles ainda sejam tão carregados de significado quanto os que foram parte da minha infância.

E você? Que livro foi importante para seu EU criança?


Blogagem coletivaMinha paixão por livros já foi declarada muitas vezes nesse blog (veja, por exemplo, as listas de leitura), por isso não é de se espantar que eu tenha resolvido aderir a blogagem coletiva proposta por Lady Sybylla pra falar dos livros da minha infância.

Para quem ficou curioso sobre o livro da Ruth Rocha, achei AQUI um resumo bem legal do livro.

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6 respostas em “Foi o Filisteu (ou dos livros da minha infância)

  1. Que bom que participou da blogagem! 😀 Já coloquei o link na listagem, está devidamente listada. 😛

    Um amigo meu disse que fica muito puto quando vê livros infantis com pouco texto e só ilustração, como se as crianças não tivessem capacidade de encarar textos. Acho isso uma idiotice, quanto mais a leitura for estimulada, melhor. E quanto mais a criança ler, maior compreensão ela terá das obras que vierem, mesmo aqueles clássicos que a gente acha chato no ensino médio.

    Não conhecia essa obra da Ruth Rocha, vou procurar saber mais, adorei seu post! ❤

    • Obrigada pelo comentário, fico feliz que tenha gostado do post… foi um prazer escrevê-lo. Esse tema da blogagem coletiva foi mais que excelente, parabéns pela iniciativa 😀

  2. Oi, Gi!
    Afinal, foi o Filisteu?
    Me fez curiosa. É interessante quando os livros abordam questões de caráter de forma inteligente. Ruth Rocha é mestra!
    Não sei se sabe, mas uma vez por semana faço trabalho voluntário em uma creche local como contadora de histórias. Vou procurar por esse livro.
    🙂
    Beijus,

    • Luma, contadora de histórias.
      Acho que o título lhe cai bem 🙂
      Sabe que cheguei a fazer curso e tudo mais?! Numa época que já vai longe, fui professora de pré-escola e ler para os pequenos era o que eu mais gostava de fazer.
      Beijinhos…obrigada pela visita.

  3. Eu também já adorava livros desde criança. Os preferidos iam mudando com a idade. Lá pelos 6 anos era Rosa Maria no Castelo Encantado, do Érico Veríssimo. Depois, lá pelos 11 (naquela época 11 anos ainda era criança!!) foi Meu Pé de Laranja Lima.

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