Tempo perdido?!

Ontem descobri que perdi tempo trabalhando em algo que alguém já tinha feito. Dizer que fiquei irritada pelo tempo perdido não é o bastante para descrever as horas que se seguiram a tal descoberta. Hoje percebi que tempo perdido mesmo é ficar remoendo aquilo que já foi e não posso mudar. Tempo perdido mesmo é ficar cultivando raiva do mundo e pena de si mesmo. Uma verdadeira perda de tempo é ficar olhando pra dentro sem prestar atenção que está sol lá fora e alguém sorri pra mim.

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Fat Tuesday (ou uma estória de koblihy)

Kobliha – a versão tcheca dos donuts

Kobliha. Eu costumava ser freguesa nos meus tempos de solteira (ironicamente, quase sempre mandava ver uma kobliha logo depois de malhar). Então me amarrei num tcheco que tem parâmetros elevados no julgamento do que seria uma dobrá (boa) kobliha. E foi assim que nos distanciamos; kobliha e eu.

Dias atrás lembrei com saudades daquela bolota recheada de calorias. Sei que o tcheco faria o sermão como-tudo-era-mais-saboroso-antigamente, mas pera lá: essa que vos escreve tem seus dias de cozinheira. Resolvido, eu mesma faria minhas koblihy (kobliha no plural). E foi na busca por uma receita que percebi que essa minha vontade de koblihy estava escrita nas estrelas**:

Masopustní koblihy

Foi sob esse nome que encontrei grande parte das receitas… e não é que Masopust é um equivalente do carnaval para os tchecos? Sendo assim Masopustní koblihy seriam donuts de carnaval (em tradução livre). Por mais tradutor que eu usasse, não encontrei maiores explicações dos ‘porquês’ de um donut no carnaval. Sejam quais forem os motivos, comparei receitas e me dediquei a criar as pecaminosas delícias.

Coincidência das coincidências, assim que sentei pra escrever este post de gordices me dei conta de que hoje é Mardi Gras, ou seja, Fat Tuesday, ou seja um terça-feira (ainda mais) gorda agora 😉

** Para aqueles que, como eu, ficaram cantando Tetê Espindola ao passarem pela frase ‘escrito nas estrelas’, clique AQUI

Gentle January

Janeiro aconteceu num piscar de olhos…

I was… eu fui uma cumpridora de tarefas (quase escrava do meu bullet journal)

I wanted… eu quis tantas coisas simples, mas sobretudo eu quis e ainda quero ler sem me sentir culpada por ser APENAS um livro (e não um artigo de matemática ou uma apostila do curso de tcheco)

I believed… eu acreditei que esse país saberia votar nas eleições presidenciais, me enganei

I felt… eu me senti agraciada e impotente, produtiva e sobrecarregada, irritável, irritante, irritada.

I enjoyed… eu curti cada minuto das horas de zumba (em que meu cérebro estava super ocupado pensando em nada além de se divertir)

I smiled… eu sorri cada vez que fiz minha família rir das minhas ‘excentricidades’

I look forward to… estou ansiosa pela primavera trazendo a possibilidade de caminhadas (e espirros) na vizinhança

I wish… eu desejo que fevereiro seja bom pra todos nós


Este post foi inspirado nos prompts do desafio fotográfico Gentle January, proposto por Susanna Conway

Gentle January – Numbers

♪♫ os números eu não aguento não
a matemática virou perseguição
Já é demais, tudo o que a gente faz
Fica por conta dos números
A gente fala por número?
A gente é um número? ♪♫♪

 

Assim cantava Angelica num vinil que eu ganhei de Natal quando criança (embora eu tivesse pedido pro Papai Noel me trazer um disco da Mara Maravilha… hehe).

E embora números (e muitas letras/alfabetos) façam parte do meu dia-a-dia, esse prompt do desafio fotográfico Gentle January, proposto por Susanna Conway, me fez pensar nos números desse meu ano de 2018:

11 (minutos): o quanto durou o espetáculo de fogos de artifício no dia 1º de janeiro.

5 (anos): desde que conheci meu tcheco (e tudo começou ❤ ).

175 (horas): aproximadamente o número de horas que já dormi esse ano.

+10 (ºC): a temperatura mais alta registrada nesse atípico mês de janeiro em Praga.

7/4: sete aulas de zumba em quatro semanas.

8800041312: o número que tive de falar em tcheco numa loja para retirar minha encomenda.

46 (euros): remuneração por um trabalho que (venho fazendo há uns 4 anos e) achava ser voluntário — agora resta descobrir como faço para por as mãos nesse dinheiro.

16: número de paçoquitas que já comi esse ano.

3 (vezes): número de vezes que ouvi/cantei essa música hoje no escritório.

00:22 momento em que termino de escrever essa lista

… e pra encerrar os ‘números’ da minha mesa 😉

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Since I moved (back) to Prague

After/Since I moved (back) to Prague, I…

– discovered the real strengh of heavy-duty cleaning products
– helped assembling a bed at 2 am
– read less books than in those three months we lived in Bratislava this year
– went to the cinema more times than in the whole year we lived in Bratislava
– had a few beers in PUBs around Prague that I would never enter if it wasn’t for the new non-smoking law
– baked a number of banana cakes
– started many Sunday mornings singing Jack Johnson and frying banana pancakes
– harvested strawberries
– ate many a few strawberries during the harvesting process
– threw 6-month of research to the trash
– played the tour guide three or four times showing Prague to my friends
– acknowledged that life is short
– cried for things worth crying over
– cried for things which were not worthy
– have been to Italy twice
– ate melanzane in ever single opportunity I had in Italy
– went for a walk with my beloved Czech guy in many Summer (sunny) nights
– struggled to keep myself motivated at work
– worked my way through it anyway
– listened to La la land’s soundtrack for days
– drove to Moravia and back, then to Moravia and back, etc
– bought 36 Christmas crackers to take to Brazil
– learned that Christmas crackers contain a kind of explosive, so I could not take them to Brazil
– took to Brazil a luggage filled up with a big-fluffy shark
– brought from Brazil a luggage full of fandangos
– had an amazing Christmas time with my family+friends in Brazil
– had an amazing Christmas time with my Czech family in Moravia
– reminded myself hundreds of times how lucky I am.