Se…
“Até super-herois tem dias ruins”
…imagine nós
Se…
“Até super-herois tem dias ruins”
…imagine nós
Caro René Descartes,
“Penso, logo existo…” você disse (na verdade, talvez tenha sido “je pense, donc je suis“). Mas venho aqui lhe perturbar pois…e se eu quiser mais que APENAS existir?! Há tantas pessoas que existem sem viver (e por sinal, acho que estou nessa classe ultimamente). Seguindo sua lógica, como deveria ser?! Que tal: ‘Sonho, logo vivo…’ ?! Acho mesmo que está me faltando sonhar. Não sonhos desses que acontecem enquanto se dorme; desses tenho aos montes e dispenso. Acho que está faltando sonhar de olhos abertos mesmo.
Minha amiga Li me lembrou esses dias as palavras do escritor italiano Fabio Volo
“Se não tinha mais uma vida, significava que em algum lugar, cedo ou tarde, a tinha abandonado”
Abandonar a vida. E o que mais abandonamos pelo caminho senão os sonhos? E não seria isso também um abandono de si mesmo?! Por isso insisto:
‘Sonho, logo vivo…’
E na ausência de uma citação melhor, fico com essa por hora. Como matemático e filósofo, sei que há de compreender essa humilde matemática que se atreve a escrever.
Agradecida por sua atenção, despeço-me.
Pequena Gi
Escolhemos 2012 para nosso ano, 14 de fevereiro para nosso dia (isso mesmo, Valentine’s Day…so romantic), 18 horas para nosso momento…
Gi & Matemática
Ai, ai…vai ver é só você…
Ai, ai…vai ver é só você querer…
Distante, imaginar
Caberia a quem dizer:
“Amor, eu vivo tão sozinho de saudade”
Oi pessoas, como foi a primeira semana de 2012 (o ano em que o mundo não acabou)?
A minha foi loonga…inclusive, na última segunda-feira cheguei em casa, 19h, e ‘descobri’ que era terça-feira…não, na verdade ainda era segunda, mas o dia tinha sido tão longo e exaustivo que eu sentia como se já tivesse vivido muito mais que as 24h de cada dia.
Previsões para o ano?! Status: indefinido.
Previsões para até onde a vista alcança?! Humm…que tal previsões para fevereiro?!
Bom, nesse caso…
Recado aos amigos (ou quase um bilhete suicida)
Agradeço antecipadamente a paciência que vocês vão precisar ter comigo. Sei que ando sumida e lamento informar que vai continuar assim até que eu acabe o doutorado – ou que ele acabe comigo. Não se preocupem ainda lembro de comer e tomar banho. Como todo casal, eu e a matemática, temos nossas briguinhas. Somos bem felizes juntas (a maior parte do tempo), mas isso tem exigido um pouco mais de dedicação. Peço ainda que não culpem a matemática; compreendam que depois de tantos anos juntas as coisas vão caminhando naturalmente para…bem…vocês sabem…a coisa ficou mais séria nos últimos 3 anos e já está na hora de oficializar esse compromisso. Isso demanda tempo, requer ajustes mas logo vamos encontrar um equilíbrio harmonioso para uma vida comum:
eu, vocês e a matemática.Aguentem firme e não desistam de mim.
Vocês são muito importante!Pequena Gi
O ano acaba, mas ouvi dizer que:
“Aquilo que é bom, e de verdade, e forte, e importante – coisa ou pessoa – na sua vida, isso não se perde.”
(Caio Fernando Abreu)
…tomara, tomara, tomara, amém!
Feliz 2012!
…sei como um momento pode passar: como se pode querer muito dizer alguma coisa a alguém ou fazer alguma coisa, mas acontece qualquer coisa e não se faz, e depois quase dá vontade de explodir porque não se fez.
(A máquina das recordações) trata-se, sim, de restaurar um momento tal como deveria ter sido, caso não estivéssemos distraídos, ou não tivéssemos sido tão covardes, ou caso soubessemos que aquele momento perdido era o único momento que tínhamos para dizer ou fazer o que queríamos.
- Cecelia Ahem, A Máquina das Recordações -
* * *
Era um sábado chuvoso e o namorado disse que não viria para o fim de semana.
Triste e sozinha resolvi fazer um bolo pra alegrar o meu dia. Olhando minhas receitas costumeiras, me descobri sem ingredientes para quaisquer delas: nada chocolate ou maçã ou banana…nem mesmo leite. Cá entre nós, um pão-de-ló de água não é exatamente minha definição de ‘receita de felicidade’.
Parada à porta da geladeira, pensando que fazer, vejo uma cerveja long neck (filha única – sobra de uma festa de tempos atrás)…estou salva da mesmice:
Que se faça então um pão-de-ló de cerveja!!
Lembrei Dona Benta e sua receita de bolo imperador. Fiz uma receita reduzida (afinal era só pra mim e, de certa forma, um investimento arriscado).
O bolo ficou levíssimo, a cerveja deu um sabor especial quase indecifrável…e eu?!
…alegrei o meu dia.
E você? O que faz para alegrar o SEU dia?
Caro mês de Dezembro,
quando foi que chegamos até aqui? Como foi que chegamos até aqui? COMO?!
Olho pra trás, era Agosto. Pisquei, de repente estamos aqui e não entendo o que aconteceu.
Não trabalhei tanto quanto eu deveria…
Não li todos os livros que comprei/emprestei…
Não escrevi…pois é, NÃO escrevi…
Não assisti tantos seriados/filmes quanto gostaria…
Não dormi tanto quanto eu precisava…
Não cozinhei todas as coisas que selecionei no meu livro de receitas…
Houve sim muitas horas na estrada, o ir-e-vir de família/namorado…mas não, não viajei.
Houve sim momentos com amigos (costumava haver bem mais), mas algumas pessoas que me são queridas não vejo há quase um ano…UM ANO!!
Minha dúvida é: o que aconteceu com o tempo?! Se souber a resposta, por favor, me diga. Afinal, é você quem está na chefia agora – ao menos nos próximos 30 dias – e deve ter seus contatos.
Desculpe o tom imperativo desta carta, mas depois de 30 encontros nessa vida não consegui evitar a sensação de intimidade – desculpe por isso também.
Certa de sua compreensão, desde já agradeço.
Pequena Gi
Dias atrás uma grande amiga me perguntou:
“Você juntaria suas coisinhas e viveria feliz pra sempre fora do Brasil? Como você faz isso?”
Sim, eu iria. Achei engraçado ela perguntar isso justo quando tenho sentido tanta saudade de Praga. Na verdade, não só de Praga, mas saudades de mim, de quem eu era em Praga e de quem ainda quero ser.
Talvez eu esteja assim saudosa porque a semana que passou foi díficil e/ou porque, de repente, estou sozinha em Sanca (duas das pessoas mais importantes pra mim estão longe, em países distantes). E aí lembrei minha solidão em Praga e me perguntei: como eu conseguia ser tão feliz?
Fui xeretar um dos diários de viagem procurando respostas. Pulei os meses iniciais (afinal a ‘resposta’ poderia ser influenciada pela sensação de novidade), ignorei também novembro e dezembro (nessa época eu já tinha amigos em Praga e estava apaixonada).
Eis então o que li:
Hoje voltando do instituto me senti tão triste e, como o choro fosse iminente, desci do tram pra caminhar e respirar um pouco. A solidão doeu. 3 meses…ninguém e nem mesmo matemática. Mais 3 meses pela frente e eu penso: e se…?
Daí vejo as árvores, o verde outrora tão vívido começa a amarelar. Estão perdendo as folhas, estão mudando, ostentam uma beleza diferente. Talvez algumas de minhas folhas também estejam amareladas e por isso já não me reconheço. Talvez seja preciso me olhar de fora pra entender a beleza dessa mudança. Talvez seja preciso algum vento para que as folhas caiam, pra eu me reinventar. (09/11/2010)
Nem precisei ir muitas páginas adiante pra reencontrar sorrisos (aliás, ri bastante dos meus ‘causos’).
Busquei sobre felicidade e encontrei esse pedaço de tristeza (na certa uma TPM…rs) que talvez possa me ensinar alguma coisa que não seja essa nostalgia do futuro.
E voce? Anda sentindo saudades de que?